quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Quem você pensa que é?

Roberto da Matta mostra em seus textos a necessidade do homem em auto valorizar-se
Por Priscila Amaral
Não é tão equivocado vermos a sociedade brasileira como egocêntrica se pensarmos de forma ufanista. Pode doer saber que o brasileiro, povo do qual somos parte integrante, e possivelmente orgulhosos, pensa em si mesmo antes de pensar no todo e acredita ter poder sobre esse todo. Pode até não ser tão errado assim, mas você sabe com quem está falando?
Partindo do princípio de que buscamos crescimento e superação, Roberto DaMatta, com seu dom antropológico de entender a sociedade como dona do umbigo do mundo, a frase título do capítulo de seu livro representa a hierarquização a que estamos fadados, a que tanto buscamos.
De fato a negação de tal verdade é a primeira reação a ler o texto de DaMatta. Reação que se transforma imediatamente em repugnância brasileira. É esse o povo que se mostra solícito, integrado e disposto para fora, com extrema universalidade e para dentro, para seu umbigo, é de extremo egoísmo.
É o traço da identidade brasileira, a distinção entre indivíduo e pessoa. É a partir deste traço que DaMatta nos leva à um caminho em que se camufla o problema e se exalta o “carnaval”. Tratamos aqui, portanto, de um problema humano e não, necessariamente, exclusivamente brasileiro.
A necessidade do homem sentir-se sobre o outro é imensa se comparada a necessidade do mesmo em sentir-se no mesmo patamar.  Vemos, então, que a posição social ocupada por este humano é mais uma instituição de projeção social e não representa sua real colocação.
É um assunto a ser tratado de forma escancarada e nada sutil – objetivo atingido por DaMatta – entretanto, é nítida a dificuldade que existe em tratar deste tema. Não se fala deste assunto porque o homem, somando-se a todas suas características, acomodou-se e não busca esclarecer questionamentos a nível social.
A provocação faz do homem um ser repugnante, que necessita de superioridade e demonstração de poder. E por que não mostrar igualdade? Quem o ser humano pensa que é para se colocar ou acima ou abaixo?
Falta ao homem colocar-se em sua real posição de busca pelo correto e ético. Falta à sociedade o respeito e falta dos grandes e pequenos que pesquisam, trabalhar assuntos mais densos e de diversidade social, buscando esclarecimento. Falta ao homem saber que quando se fala é com alguém igual.

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