quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O mundo encantado de Dina

Dona Dina em seu quarto: as bonecas ocupam desde a cama até o lustre

- Aposentada mantém coleção de bonecas que surpreende pela delicadeza

por Lívia Inácio


Quem passa pela movimentada rua Voluntários da Franca, bem no centro da cidade, não imagina que ali há um lugar especial cuja magia faz qualquer mulher se sentir menina outra vez. A princípio, a casa amarela em que mora a aposentada Maria Ricardina Braga, 83, a simpática dona Dina, parece ser uma casa comum, mas não é. A própria decoração da sala não nos deixa mentir: com várias estantes cheias de bonecas dos mais variados modelos, a dependência poderia ser o sonho de qualquer criança.

A razão desse grande acervo, que conta com aproximadamente 800 bonecas distribuídas por todos os cômodos da casa é uma paixão que dona Dina alimenta desde a infância pelo brinquedo. Por causa dessa fixação, há mais de 30 anos, ela começou a colecionar bonecas de vários tipos e tamanhos, desde chaveirinhos e imãs até peças de pano e de porcelana.

Dina lembra que esse seu encanto começou aos 2 anos de idade, quando ganhou a sua primeira, feita pela mãe. O problema foi que o brinquedo caiu da janela de sua casa e, como era de pano, foi estragado pelos porcos da fazenda em que a família vivia. Inconformada, Dina chorou, mas logo ganhou sua segunda, que era de papelão e bem enfeitada. A partir de então, tornou-se uma afeiçoada assumida por bonecas.

Carismática e sorridente, dona Dina atribui a graça do seu espírito jovial ao contato com a sua coleção. Até mesmo o seu quarto é decorado com bonequinhas: elas estão sobre a cama, enfeitam o criado-mudo, a penteadeira e o lustre. A propósito, tudo ali é muito delicado. Até mesmo a TV e o ventilador são bem pequenos para que combinem com o ambiente.

O que a colecionista mais valoriza em suas bonecas é o fato de cada uma ter seu significado. Para ela, nenhum item teria valor se não a remetesse a algo. “Não guardo o que tenho por vaidade ou coisa assim. Cada peça tem uma história e por isso são tão importantes”, explica.

Uma das que a aposentada mais gosta é a boneca de papelão que tem mais de 80 anos e é a mais antiga do acervo. “Ela é especial porque se parece muito com a que ganhei quando criança, na época em que chorava pela boneca de pano que havia estragado”, lembra.
Emílias, Barbies e Susis é o que não faltam na coleção

Dona Dina também destaca que muitas são importadas. Algumas vieram do Japão, da Espanha, dos Estados Unidos, da Itália. E ainda há as que chegaram de várias partes do Brasil. “Todo amigo meu que viaja traz uma diferente para mim”, conta.

Viúva há 12 anos de Djalvo Braga, que foi gerente da Caixa Econômica, vereador e diretor do Hospital Psiquiátrico Allan Kardec, Dina tem 18 netos, 10 filhos e 6 bisnetos e conta que embora sua coleção sempre atraísse as crianças, ela fazia o possível para não deixar ninguém estragar nada. “Todos já se acostumaram com meu cuidado”, diz.

Ainda que seja apaixonada por bonecas, dona Dina é uma colecionadora sensata e conta que sonhava em ter uma que parecia um bebê de verdade, vendida em Poços de Caldas – MG. Entretanto deixou a vontade passar porque não teve coragem de pagar mais de R$ 1 mil pela peça. “Eu queimaria no mármore do inferno se comprasse uma boneca tão cara, sabendo que há tantas crianças que não têm nenhuma em casa”, brinca.

Solidariedade

Diferente do que alguns podem pensar, a solidariedade de dona Dina não se limita ao seu pensamento altruísta. Todos os anos, a senhora compra várias bonecas do Paraguai e roupinhas para elas em um hipermercado de Franca para depois distribuir entre crianças carentes. Além disso, em seus aniversários, ela já não pede mais para que os amigos lhe presenteiem com bonecas. Líder de um grupo que faz campanhas para ajudar gestantes que não têm como custear o enxoval de seus bebês, dona Dina pede fraldas, sapatinhos e roupinhas de crianças e os encaminha a quem precisa. Ao que parece, além do fascínio por brinquedos, a colecionadora também não perdeu aquela que é uma das características mais sublimes da infância: a generosidade.

Cidade paulista encanta pelos ‘belos jardins’

Praça central se destaca pela topiaria aplicada aos arbustos


Por: Lígia Silveira

Batatais é considerada a cidade dos mais belos jardins e está localizada no interior de São Paulo, a cerca de 350 km da capital. A Praça Cônego Joaquim Alves, ou praça matriz, como é conhecida, se destaca pelas esculturas entre os arbustos e árvores moldadas através da topiaria. 
A cidade oferece diversas atrações. A Banda Municipal se apresenta há mais de 20 anos, todos os  domingos, no famoso coreto com traços barrocos. Um ‘trenzinho’ faz a alegria da criançada e está presente todos os finais de semana na praça central.
De acordo com a Prefeitura, existe uma equipe responsável por fazer a manutenção do jardim. Diariamente os artistas ficam 'à disposição' da paisagem, regando, podando e moldando as esculturas. O resultado desse cuidado é visível. Alguns arbustos em formato de sofá convidam à sentar, árvores desenhadas em forma de animais encantam à todos e remetem a um mundo de fantasia. E a fonte musical composta por luzes coloridas é uma atração a parte.
O vendedor Anderson Oliveira, 19, diz que é assíduo frequentador da praça e que sempre que alguém visita sua casa ele leva para conhecer a paisagem peculiar.
A igreja matriz 'Senhor Bom Jesus da Cana Verde', réplica da igreja barroca de Sant'Agnese, em Roma, também faz parte da composição do ambiente. A igreja teve sua construção iniciada em 1928 e foi concluída em 1953. O arquiteto italiano Julio Latini foi quem dirigiu a obra no início, trabalhando em conjunto com o engenheiro Carlos Zamboni. Porém, após alguns anos, Latini abandonou o projeto por motivos particulares e Zamboni seguiu sozinho. A conclusão do convidador trabalho arquitetônico foi marcada pela instalação das telas de Portinari em seu interior, inclusive com algumas peças raras da coleção do artista que fizeram parte da fase conhecida como 'série azul'. As obras ainda estão expostas no interior da igreja e podem ser observadas durante todos os dias da semana. Turistas de diversos locais e alunos de escolas da região visitam o local diariamente.

Engenheiro coleciona e monta réplicas de aeronaves

O batataense pratica o hobbie desde 1993, influenciado por um amigo

Por: Lígia Silveira
Algumas pessoas encontram no ato de colecionar, uma forma de demonstrar sua paixão por determinados objetos. É o caso do Engenheiro Civil Oswaldo Luis Antonelli de 41 anos que reside em Batatais, interior de São Paulo.
Antonelli coleciona réplicas de aeronaves e começou no plastimodelismo (construção de miniaturas em escala reduzida fabricada em forma de kits plásticos ou outro modelo), em 1993 por influência de um amigo por nome de Jorge Nassrallah. O engenheiro monta aeronaves civis e militares, veículos de militaria, peças de artilharia, vinhetas e dioramas (cenas de guerra ou de situações em que as peças poderiam estar envolvidas em um contexto real) e diz que considera a montagem como uma ‘terapia, ela nos obriga a estudar a história, o que agrega ainda mais valor e conteúdo ao tempo empreendido com este hobby’.
Ele conta com uma coleção de 300 a 350 peças montadas e mais de 200 por montar, e diz que sempre está comprando mais.
As peças são armazenadas em estantes de vidro equipadas com a segurança de um alarme e ficam fechadas em uma sala do seu escritório, na empresa onde é dono. O local onde a coleção fica exposta não permite que outras pessoas as toquem, preservando assim suas características.
Antonelli complementa que muitas réplicas possuem valor especial, quer pela raridade ou história da aeronave, quer pelo modelo ali representado, pelo cuidado utilizado na montagem, pelas premiações que já recebeu em eventos e mostras oficiais ou também por serem presentes de amigos que ganhou ao longo dos anos. Além das que ele considera como relíquias, pelo contexto histórico em que estiveram envolvidas as originais ali representadas.
Algumas peças da coleção de Antonelli, já por sua idade e por não serem mais fabricadas, são raras, mas ele diz que ainda assim é possível encontrar alguma semelhante, embalada em uma coleção ou já montada por algum outro plastimodelista. Na internet é possível encontrar inúmeros fóruns e lojas virtuais, à disposição de quem deseja estudar e seguir o plastimodelismo.

Sonhos em Miniatura

Aposentado coleciona miniatura de carros para compensar garagem dos sonhos


Se para alguns colecionar é um ato excêntrico que necessita de paciência e disposição, para outros, o ato de juntar e organizar objetos que possuem características semelhantes é mais do que um hobbie. É uma necessidade. Que o diga Nercelei Ferreira, um recém-aposentado de 53 anos, morador de Franca -SP, que vê em suas coleções uma maneira de gastar seu tempo livre fazendo algo que gosta, e até mesmo, uma projeção de seus sonhos tidos como impossíveis. Funcionário da empresa de limpeza de sua cidade por mais de dez anos, Nelson-como prefere ser chamado- tem diversos objetos que considera colecionáveis e que em sua maioria foram encontrados em seu local de trabalho diariamente: as ruas que limpava.
De acordo com o ex-gari, sua coleção favorita é a de carrinhos em miniatura. "Gosto dessa coleção, porque meu sonho era ter uma garagem repleta de carros de diferentes modelos, mas como não posso me contento com meus carrinhos pequenos", mostra o aposentado que chega a ter ciúme de suas peças de coleção. "Não gosto de crianças rondando meus carrinhos, nem que ninguém os pegue", diz Nelson demonstrando cuidado com seus brinquedinhos.
Porém, quem pensa que os raros itens colecionáveis de Nelson terminam nos diversos modelos de carrinhos que encontrou nas ruas da cidade, se engana. Ele também possui uma pasta repleta de cartões telefônicos, em sua maioria também encontrados nas andanças pelas ruas de Franca. Mas o foco dessa coleção é um pouco diferente das de miniaturas de carros. Ao invés de conservá-la intocável e tentar aumentá-la, Nelson está sempre fazendo a rotatividade das peças, através de trocas com outros colecionadores, que se reúnem no Centro da cidade. Há até mesmo encontro de colecionadores que promovem a venda de cartões considerados "raros" para alguns, ou também aqueles cartões que por algum motivo algum integrante do grupo não possui. "Quando não são raros custam até bem barato em torno de R$0,10. Já os mais procurados podem chegar a valores altos", destaca o aposentado que já até vendeu alguns cartões a outros admiradores desse tipo de coleção.
Embora para muitos manter uma coleção seja algo bobo, para educadores deveria ser algo estimulado desde a infância. É uma forma de incetivar as crianças a fazerem suas próprias coleções, pois elas ajudam em diversos aspectos cognitivos como a imaginação e também o cuidado com objetos que a criança considera de certa forma, explica a educadora Ângela Aparecida, professora na rede municipal de Franca. "As coleções também da ajudam na matemática". Para a educadora a importância da coleção vai muito além do lúdico. "O ato de colecionar incentiva as crianças a terem valorização com objetos próprios e também a aprender habilidades básicas da matemática e raciocínio lógico como classificar e seriar", ensina a professora que trabalha dentre outras coleções com seus alunos.

Por William Veríssimo

Prefeitura de Sacramento revitaliza praças


Nova aparência das praças não teve aceitação da população

"Não adianta plantar e não zelar". Hilário Tomaz, aposentado


Rogério Oliveira

A cidade de Sacramento (MG) está prestes a ganhar mais uma praça revitalizada. A Prefeitura Municipal e o Governo Estadual têm investido bastante em reformas de praças neste ano, mas as resformas não têm agradado a população. A primeira a ganhar novos ares foi a Praça Doutor Valadares, seguido da central Getúlio Vargas - reinaugurada recentemente. Agora será a vez da Praça do Tempo. No entanto, as revitalizações propostas não estão sendo bem aceitas pela população que questiona a perda do espaço verde nas praças.
As obras na Praça Doutor Valadares começaram no final do ano passado e terminaram em janeiro. A reinauguração contou com a presença do prefeito Wesley de Santi e de grupos da cultura negra, como a congada e a capoeira que se apresentaram marcando a tradição em homenagem a Nosa Senhora do Rosário. Conhecida por sua ampla área e seus níveis elevados de jardins no centro, com a reforma a praça foi nivelada e perdeu muito do antigo espaço verde, que deu espaço a um coreto e a uma vasta área de paralelepípedos. Hilário Tomaz, aposentado de 72 anos, diz ter ficado satisfeito com a reforma, mas se queixa do descuido da prefeitura com as mudas de árvores plantadas. "Não adianta plantar e não zelar", completa. O aposentado ainda diz que ele e mais dois vizinhos se dividiram na tarefa de molhar as mudas que estavam morrendo.


                                                                       Praça Doutor Valadares

A praça mais antiga da cidade também ganhou nova cara. Com a revitalização, a Praça Getúlio Vargas também conta com um coreto e muito espaço livre. Reinaugurada no dia 7 de setembro, a solenidade contou com a apresentação das fanfarras de Sacramento e de Conquista. As duas reformas apresentam as mesmas características, o verde deu espaço ao alaranjado das pedras. Grande parte das clássicas palmeiras imperiais que havia ali foram cortadas, assim como as árvores, o que causou muita indignação na população sacramentana. Segundo a prefeitura, as palmeiras estavam condenadas e podiam cair a qualquer momento devido à idade. "Tinha mais verde, mais vida. A ideia foi boa mais faltou verde", frisa Raquel de Souza Cunha, 24 anos que lamenta a perda das sombras que havia na praça.


                     Praça Getúlio Vargas 

As obras na Praça do Tempo começaram na última segunda-feira (24) com a presença das motosserras que já desnudaram a praça. Vanina Wetzel, que trabalha no ramo de turismo na cidade, diz que gostou e não gostou das novas praças. "Preferiria que tivessem voltado como eram antes, como os antigos coretos da década de 20, pois estaria melhor do que agora", completa. Mas, há quem aprovou a nova aparência das praças e, principalmente, o espaço aberto que possibilita melhor práticas esportivas, jogos e eventos culturais. "Agora há mais espaço para as crianças brincarem", diz Adriano Cerchi, 42 anos, que costuma trazer seus filhos para brincar aos domingos.


                             Praça do Tempo

O descontentamento ainda é maior por parte dos que acham que com a reforma, as praças perderam muito do espaço verde que possuíam. Para os moradores, as praças se tornaram lugares mais quentes, uma vez que não se pode contar com as sombras das antigas árvores. Agora, com espaço de sobra, os moradores aguardam uma providência da prefeitura para estimular atividades como sarais, tardes culturais com apresentações de teatro, capoeira, poesias, emtre outras.

Os curiosos objetos de um colecionador

Garoto de 23 anos guarda até hoje toda sua coleção de surpresas de brindes de chocolate



Por Thaila Giolo

O que para muitos guardar brinquedos é considerado estranho para outros é muito importante. Thales Giolo, de 23 anos, é uma destas pessoas. Natural de Franca, cidade no interior de São Paulo, ele coleciona desde pequeno as surpresas que vem dentro do ovo de chocolate Kinder Ovo . Com mais de 200 peças entre carrinhos, bichos e brinquedos, o candidato que está prestes a atuar na Polícia Militar do Estado de São Paulo, coleciona e se diverte ate hoje com suas miniaturas.

Desde pequeno, Thales é fascinado pelas surpresas que continham dentro do ovo. Segundo ele, começou a guardar em forma de brincadeira de criança e desde então coleciona. Hoje, com quase 24 anos ele relembra de como era bom comer aquele chocolate delicioso e ainda montar as surpresas que vinham dentro do ovo.
Thales diz “ Não agüentava esperar minha mãe ir ao supermercado para comprar um ovo para mim”. Sua coleção tem em média 200 peças, todas intactas e preservadas.

Thales explica que as peças ficam guardadas para que não acumule poeira e não estrague. Hoje ele não mora mais em Franca, mas mesmo assim a mãe Nilva Giolo, de 44 anos, faz questão de mantê-las limpas e perfeitas como sempre.

O acervo é mantido até hoje e mantém a lembrança dos bons momentos que passou com seus brinquedos especiais. “Sempre irei gostar. Eles podem não ser algo muito importante, mas para mim, eles sempre serão meus brinquedos prediletos”. O jovem espera que daqui há alguns anos consiga retomar a coleção e adquirir todos os brinquedos que existem desde quando a marca de chocolate resolveu inovar, presenteando seus consumidores mirins com um brinde miniatura.

domingo, 23 de outubro de 2011

A queda do imperialismo: nossa revolução brasileira

Por: Swaida Martins

A obra de Caio Prado visa mostrar o sonho de emancipação e autonomia nacional idealizados pelo autor por meio de uma revolução à brasileira

Caio Prado em sua obra: "A revolução brasileira", escrita em 1966,  mostra o sonho de emancipação e autonomia nacional idealizados por ele contra a tese do imperialismo no Brasil. Embora tenha recebido muitas críticas esquerdistas no auge da Ditadura.
Em sua obra, Prado, intelectual e político atuante adota ideais marxistas e avalia o papel do Brasil como exportador de matérias-primas defendendo uma revolução que rompa com a dominação imperialista de monopólios, trustes e tecnologia industrial. Ao mesmo tempo admite que o povo brasileiro precisa de "um pulso forte" para que assim possa alcançar um caminho de desenvolvimento. Ele também explica sobre a nacionalização frente ao sistema internacional, ou seja, o Brasil já nasceu dentro da economia internacional e não pode ter sua estrutura baseada apenas no poder econômico interno. O autor analisa a estrutura do problema, mas não outros aspectos para se chegar a um resultado positivo.
Por conta disso, políticos e estudiosos o criticam por seu economicismo, pois Prado segue o modelo russo de revoluções, só que quase não cita o ponto de vista cultural; Podemos observar algumas falhas cometidas por ele: uma delas, é em relação a revolução.
Segundo o autor, o Brasil nunca foi feudal, portanto o marxismo não teria eficácia no país, já que a união entre burgueses, classe operária e camponeses não funcionaria, porque a elite brasileira sempre foi classe dominante e não nacionalista.
Ora, se o autor quer a revolução brasileira e ao mesmo tempo diz que de certa forma não  pode a burguesia ser atingida, como ele pretendia revolucionar o Brasil? Ainda mais se o país, de acordo com Prado, nunca foi feudal para o marxismo surtir efeito.
Por que então, ele possuía ideais marxistas? Ao mesmo tempo que o autor quer romper com o regime imperialista, sem pensar no feudalismo para deixar assim o Brasil de ser colonial, pois ele acredita que cada sociedade tem que pensar o seu próprio modelo de revolução sem etapa, já que o marxismo é universal; Ele esquece de repensar que mesmo sendo universal, é importante observar as especificidades de cada lugar no qual, o sistema desejado pode ser implantado.
Se por um lado, Prado é fervoroso pessimista quanto ao sistema politico brasileiro, segundo suas palavras:

"O Brasil é dependente e vai continuar assim, pois a luta contra o imperialismo é a luta do nosso processo de independência"

Ele é ciente que o tempo do brasileiro é lento, portanto, admite que a sua revolução almejada não daria certo no país.
Mais uma vez há um "contra-sensu" : Como Prado defende uma revolução brasileira que no fim expressa não dar certo pela lentidão do brasileiro, mesmo antes de começar? Afinal o modelo de revolução socialista de Prado nem chegou a ser tentada no Brasil, e talvez contrariando o pessimismo do autor poderia ter sido um sucesso.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Colecionando sabores



Livros, revistas e recortes formam coleção que dura há mais de 20 anos

Por Mônica Freitas

A administradora Ângela Maria R. Neves, 32, é fanática por culinária e possui uma mania interessante - colecionar receitas. São livros, revistas, recortes, rótulos, embalagens, todos contendo uma delícia diferente. Sua paixão pela gastronomia começou cedo: com apenas 12 anos ganhou o primeiro livro de sua mãe.

A coleção é grande e antiga que a administradora guarda com carinho dentro de caixas no seu guarda-roupa. Ela diz ser motivada pelo marido que também gosta de cozinhar. “Meu marido me ajuda e costumamos revezar na cozinha. Sempre inventamos algo ou consultamos alguma receita”, diz.

A revista preferida da colecionadora é Ana Maria, que acredita encontrar as melhores receitas. Segundo ela, sempre “acerta a mão” quando experimenta. “São receitas deliciosas que consigo fazer certinho e que nunca dá errado (risos). Sempre que compro outra publicação não acerto”.

A paixão de Ângela pela culinária não se resume apenas nos livros antigos e revistas Ana Maria. As embalagens de produtos que trazem receitas também fazem parte do se acervo. “Gosto de ir ao supermercado e olhar as receitas que estão no rótulo dos produtos. Sempre olho para ver se a receita não é repetida”, destaca.

E para provar esta quantidade de receitas, Ângela é adepta a fazer reuniões em sua casa e chamar os amigos para um happy hour. Cozinhar para eles faz parte do ritual. “Adoro ir na casa da Ângela, ela tem várias receitas, além de cozinhar super bem”, mostra a amiga da administradora, Karina Teodoro.

Artigo: O Brasil com Roberto DaMatta

Autor de diversas obras, DaMatta é um estudioso do Brasil, mostrando seus dilemas e suas contradições

Por Alline Casado
Nascido em Niterói, em 1936, podemos considerar que Roberto DaMatta, antes de tudo, é antropólogo. Sim, além de conferencista, professor, consultor, colunista de jornal, produtor de TV, entre outros, esse estudioso do Brasil trabalha seus textos com a antropologia em suas idéias, tendo como influencia o antropólogo David Maybury Lewis.
Ele é considerado um estudioso de dilemas e contradições do nosso país e nunca se afasta da sua origem. Percebe-se que mesmo quando ele trabalha com outros textos, faz sempre uma comparação com o Brasil. DaMatta sempre revela o Brasil com um país de muitas culturas, festas populares, manifestações religiosas, literatura e arte, carnaval, leis e regras – as polêmicas aos redores delas, esportes, enfim, mostra um Brasil complexo que não submete-se a um único esquema.
Roberto possui uma boa idéia do Brasil e a mostra em uma realidade antropológica, com a afirmação de que o país é totalmente diversificado, como seus rituais e conjunto de práticas consagradas. Um lugar realmente diferente de outros, que desperta a atenção e curiosidade dos demais.
Estamos falando de um autor que é o quarto entre os mais citados em trabalhos acadêmicos. DaMatta fica atrás apenas de Karl Marx, Max Weber e Pierre Bourdieu. Um professor-doutor pela Universidade de Notre Dame (EUA), doutor pelo Peaboy Museum da Universidade de Harvard (EUA) e articulista do jornal "O Estado de São Paulo". Em 2001 recebeu a Ordem do Mérito do Rio Branco no grau de Comendador.
Considerado um dos grandes nomes das Ciências Sociais Brasileiras. Não há melhor forma de baseamento de estudos que as obras de Roberto DaMatta. Elas são conhecidas por todo o mundo, além de centenas de artigos, ensaios em revistas científicas e coletâneas, verbetes em dicionários e enciclopédias. São ao todo 23 livros, 53 capítulos avulsos em livros, 52 textos em jornais de notícias e revistas e inúmeras produções bibliográficas.
DaMatta faz uma leitura do nosso mundo social a partir de um homem que se mantenha sempre misterioso, que nunca se curve a nenhuma ideologia ou a um modelo sociopsicológico. Um homem que é sempre mais o que tudo o que ele mesmo criou. Com esse pensamento ele passa essa confiança para muitos que o seguem.
DaMatta teve sua produção reconhecida pela comunidade acadêmica, recebendo mais de 30 prêmios e menções honrosas, além de ocupar – merecidamente – as cadeiras de Membro Titular da Academia Brasileira de Ciências, Membro Titular do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro, e Membro Estrangeiro da American Academy of Arts and Sciences, dos Estados Unidos.

Um orgulho para um país, ter um filho com tais características e personalidade como Roberto DaMatta.
Com esse currículo todo, este autor se torna um exemplo da literatura brasileira. Infelizmente no Brasil não há o costume de homenagear, em particular no universo acadêmico, os melhores que ainda estão vivos. Será medo do que o autor pode publicar no futuro? Ou estão mudando os costumes? Já que até “Bruna Surfistinha” está ganhando uma cadeira na Academia Brasileira de Letras.