quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Sonhos em Miniatura

Aposentado coleciona miniatura de carros para compensar garagem dos sonhos


Se para alguns colecionar é um ato excêntrico que necessita de paciência e disposição, para outros, o ato de juntar e organizar objetos que possuem características semelhantes é mais do que um hobbie. É uma necessidade. Que o diga Nercelei Ferreira, um recém-aposentado de 53 anos, morador de Franca -SP, que vê em suas coleções uma maneira de gastar seu tempo livre fazendo algo que gosta, e até mesmo, uma projeção de seus sonhos tidos como impossíveis. Funcionário da empresa de limpeza de sua cidade por mais de dez anos, Nelson-como prefere ser chamado- tem diversos objetos que considera colecionáveis e que em sua maioria foram encontrados em seu local de trabalho diariamente: as ruas que limpava.
De acordo com o ex-gari, sua coleção favorita é a de carrinhos em miniatura. "Gosto dessa coleção, porque meu sonho era ter uma garagem repleta de carros de diferentes modelos, mas como não posso me contento com meus carrinhos pequenos", mostra o aposentado que chega a ter ciúme de suas peças de coleção. "Não gosto de crianças rondando meus carrinhos, nem que ninguém os pegue", diz Nelson demonstrando cuidado com seus brinquedinhos.
Porém, quem pensa que os raros itens colecionáveis de Nelson terminam nos diversos modelos de carrinhos que encontrou nas ruas da cidade, se engana. Ele também possui uma pasta repleta de cartões telefônicos, em sua maioria também encontrados nas andanças pelas ruas de Franca. Mas o foco dessa coleção é um pouco diferente das de miniaturas de carros. Ao invés de conservá-la intocável e tentar aumentá-la, Nelson está sempre fazendo a rotatividade das peças, através de trocas com outros colecionadores, que se reúnem no Centro da cidade. Há até mesmo encontro de colecionadores que promovem a venda de cartões considerados "raros" para alguns, ou também aqueles cartões que por algum motivo algum integrante do grupo não possui. "Quando não são raros custam até bem barato em torno de R$0,10. Já os mais procurados podem chegar a valores altos", destaca o aposentado que já até vendeu alguns cartões a outros admiradores desse tipo de coleção.
Embora para muitos manter uma coleção seja algo bobo, para educadores deveria ser algo estimulado desde a infância. É uma forma de incetivar as crianças a fazerem suas próprias coleções, pois elas ajudam em diversos aspectos cognitivos como a imaginação e também o cuidado com objetos que a criança considera de certa forma, explica a educadora Ângela Aparecida, professora na rede municipal de Franca. "As coleções também da ajudam na matemática". Para a educadora a importância da coleção vai muito além do lúdico. "O ato de colecionar incentiva as crianças a terem valorização com objetos próprios e também a aprender habilidades básicas da matemática e raciocínio lógico como classificar e seriar", ensina a professora que trabalha dentre outras coleções com seus alunos.

Por William Veríssimo

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