domingo, 23 de outubro de 2011

A queda do imperialismo: nossa revolução brasileira

Por: Swaida Martins

A obra de Caio Prado visa mostrar o sonho de emancipação e autonomia nacional idealizados pelo autor por meio de uma revolução à brasileira

Caio Prado em sua obra: "A revolução brasileira", escrita em 1966,  mostra o sonho de emancipação e autonomia nacional idealizados por ele contra a tese do imperialismo no Brasil. Embora tenha recebido muitas críticas esquerdistas no auge da Ditadura.
Em sua obra, Prado, intelectual e político atuante adota ideais marxistas e avalia o papel do Brasil como exportador de matérias-primas defendendo uma revolução que rompa com a dominação imperialista de monopólios, trustes e tecnologia industrial. Ao mesmo tempo admite que o povo brasileiro precisa de "um pulso forte" para que assim possa alcançar um caminho de desenvolvimento. Ele também explica sobre a nacionalização frente ao sistema internacional, ou seja, o Brasil já nasceu dentro da economia internacional e não pode ter sua estrutura baseada apenas no poder econômico interno. O autor analisa a estrutura do problema, mas não outros aspectos para se chegar a um resultado positivo.
Por conta disso, políticos e estudiosos o criticam por seu economicismo, pois Prado segue o modelo russo de revoluções, só que quase não cita o ponto de vista cultural; Podemos observar algumas falhas cometidas por ele: uma delas, é em relação a revolução.
Segundo o autor, o Brasil nunca foi feudal, portanto o marxismo não teria eficácia no país, já que a união entre burgueses, classe operária e camponeses não funcionaria, porque a elite brasileira sempre foi classe dominante e não nacionalista.
Ora, se o autor quer a revolução brasileira e ao mesmo tempo diz que de certa forma não  pode a burguesia ser atingida, como ele pretendia revolucionar o Brasil? Ainda mais se o país, de acordo com Prado, nunca foi feudal para o marxismo surtir efeito.
Por que então, ele possuía ideais marxistas? Ao mesmo tempo que o autor quer romper com o regime imperialista, sem pensar no feudalismo para deixar assim o Brasil de ser colonial, pois ele acredita que cada sociedade tem que pensar o seu próprio modelo de revolução sem etapa, já que o marxismo é universal; Ele esquece de repensar que mesmo sendo universal, é importante observar as especificidades de cada lugar no qual, o sistema desejado pode ser implantado.
Se por um lado, Prado é fervoroso pessimista quanto ao sistema politico brasileiro, segundo suas palavras:

"O Brasil é dependente e vai continuar assim, pois a luta contra o imperialismo é a luta do nosso processo de independência"

Ele é ciente que o tempo do brasileiro é lento, portanto, admite que a sua revolução almejada não daria certo no país.
Mais uma vez há um "contra-sensu" : Como Prado defende uma revolução brasileira que no fim expressa não dar certo pela lentidão do brasileiro, mesmo antes de começar? Afinal o modelo de revolução socialista de Prado nem chegou a ser tentada no Brasil, e talvez contrariando o pessimismo do autor poderia ter sido um sucesso.

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