Relacionamentos
Psicóloga diz que desde a infância há incentivos para idealização do parceiro
Por: Lígia Silveira
Separação de casais são corriqueiras no país. De acordo com os últimos dados divulgados pelo Registro Civil, entre 2004 e 2005, a taxa de divórcios no país subiu de 1,2 para 1,3 mil pessoas. A psicóloga Andrea Menezes Valenciano diz que a influência cultural do Brasil, desde a infância, leva a esse índice alto de rompimento. Ela diz que ao observarmos uma criança do sexo feminino brincado veremos que culturalmente ela é incentivada a “brincar de casinha”, “fazer comidinha” e “cuidar dos filhos”; somado ao imaginário dos contos de fadas em que a linda princesa espera pelo príncipe encantado que irá tirá-la das situações adversas que a vida lhe impôs.
Segundo ela, neste sentido a busca pelo atendimento psicológico quando relacionada ao fim de uma união ocorre em função das expectativas em relaçãoo ao parceiro, que constantemente não são atendidas ou supridas. Desta forma, assim como no conto de fadas, as mulheres, em sua maioria, são frustradas em função de não se sentirem completas por não receberem dos parceiros aquilo que “idealizaram”. "Os homens não funcionam como no conto de fadas, não são capazes de tirá-las da rotina maçante e dos desafios diários que a vida lhes impõe", mostra.
Terapia de casais
Durante o trabalho psicológico Andrea diz que trabalha a busca da responsabilização do paciente e faz com que ele saia da posição de vítima e deixe de atribuir o fracasso do relacionamento ao parceiro e se volte para si. Mas ela lembra que é normal qualquer separação gerar sofrimento, ainda que esteja se desligando de 'algo ruim'.
Um aspecto relevante é o fato de que muitos não conseguem lidar com a dor provocada pela perda, buscando assim soluções 'mágicas'. A profissional diz pacientes nesta situação se diagnosticam como depressivos e optam por intervenção medicamentosa na esperança de que o remédio lhes dê alívio imediato.
Outro dado levantado pela psicóloga é que, na grande maioria, os casais só buscam ajuda quando o relacionamento afetivo já está 'agonizando' ou 'finalizado'. "E isso prejudica a terapia".
Em relação aos filhos, a psicóloga complementa que é importante registrar que não existe ex-pai ou ex-mãe e que os estilhaços de relacionamentos mal sucedidos recaem inevitavelmente sobre os filhos. "O casal, mesmo separado, necessariamente precisa continuar se relacionando, não mais como homem e mulher, mas desta vez como pai e mãe", ensina.
Andrea diz que diante as relações sofrem desgastes ao longo do tempo em função das exigências da vida diária como questões financeiras, doenças, filhos, vida profissional etc. Paradoxalmente, relações recentes são providas de um encantamento único, pois há a ausência do desgaste e, de acordo com a terapêuta, tudo é novo e prazeroso. disso, a psicóloga compara os relacionamentos com carros: o carro usado é naturalmente desgastado pelo tempo e pelos caminhos que já percorreu; enquanto o carro novo tem um 'cheirinho' diferente e não apresenta barulhos e quase nunca apresenta defeitos. "Mas a grande pergunta é: o que fazer com o passar dos anos, quando este carro novo, inevitavelmente, apresentar problemas? Será que correremos em uma concessionária desesperados para substituí-lo?", questiona ela dizendo que assim são os relacionamentos. "Se soubermos lidar com os desgastes naturais passaremos a vida toda trocando de parceiro na busca de uma perfeito inexistente".
Mas, para a psicóloga, o divórcio pode ser a melhor opção quando compromete a integridade física e emocional do parceiro ou de seus filhos.
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